Fabiula Bortolozzo

  • Contado na primeira pessoa, este novo romance de Fabiula Bortolozzo é um livro muito intimista, em que a autora entrelaça admiravelmente pequenas histórias de amores e desamores, de crescimento e de descoberta da sexualidade, da saída do armário e do aparecimento do AIDS, dos costumes conservadores da sociedade brasileira e dos eventos políticos determinantes da segunda metade do século XX, dos livros e dos escritores que influenciaram a narradora, bem como da música e dos músicos que faziam furor à época, e do misticismo e sobrenatural, tudo no cenário da cidade de Curitiba e de diversos locais paranaenses muito especiais.
    A narradora, que virá a ser escritora, tal como a autora, é uma jovem curiosa, que está a descobrir a vida e a sua sexualidade; é tranquila e tolerante, mas determinada, não permitindo que ninguém lhe diga o que deve fazer. A Bia, a outra personagem principal e maior amiga da narradora, é uma jovem muito feminina, mas que, apesar de parecer também muito determinada, se deixa prender em situações que a sufocam e das quais não consegue libertar-se. As duas seguirão um percurso que as levará a refletir sobre a passagem do tempo, o esgotamento da memória, a doce beleza da juventude e a tranquilidade de estar bem com o passado.
    "Em que momento foi que minha vida começou a tomar rumos inesperados? Não sei. Pode ter sido depois do encontro com Juan, assim como pode ter sido depois do encontro com Adri. São memórias de tantos anos que já nem sei mensurar em que momento ocorreram, talvez o que eu esteja escrevendo não seja nem um terço do que aconteceu, quem sabe não é quase tudo coisa da minha cabeça, uma mistura de fatos com imaginação, e eu nem saiba direito a fronteira que os divide. No entanto, o que é, afinal, a realidade senão aquilo que nos faz ter certezas, aquilo que nos faz sentir, aquilo que está entranhado em nós e faz a ponte entre nosso coração e nossa mente. Isso é a realidade de uma pessoa, o resto não passa de delusão."

  • Nos tempos da velha República dos Doges venezianos, Antonia, uma viúva aristocrata, decide passar o resto dos seus dias num convento da ilha de Murano, após a morte do seu marido. Ali encontra Elena, uma freira conversa, por quem se enamora, apesar da censura da abadessa . Um dia, Elena aparece misteriosamente doente, deixando Antonia angustiada.
    Terão estas mulheres que viveram nos conventos venezianos do período renascentista existido realmente? Terão sofrido como estas sofreram? Terão amado como estas se amaram? Será que esta estória é, na verdade, uma parte da História? Talvez.
    "Bella Donna" é um romance histórico de amor entre duas mulheres que consegue escapar ao lugar-comum das paixões inflamadas, embalando-nos, com a sua escrita escorreita, para uma leitura compulsiva de um enredo quase policial, muito bem arquitectado e com um desfecho inesperado.

    1 autre édition :

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