Langue française

  • Contado na primeira pessoa, este novo romance de Fabiula Bortolozzo é um livro muito intimista, em que a autora entrelaça admiravelmente pequenas histórias de amores e desamores, de crescimento e de descoberta da sexualidade, da saída do armário e do aparecimento do AIDS, dos costumes conservadores da sociedade brasileira e dos eventos políticos determinantes da segunda metade do século XX, dos livros e dos escritores que influenciaram a narradora, bem como da música e dos músicos que faziam furor à época, e do misticismo e sobrenatural, tudo no cenário da cidade de Curitiba e de diversos locais paranaenses muito especiais.
    A narradora, que virá a ser escritora, tal como a autora, é uma jovem curiosa, que está a descobrir a vida e a sua sexualidade; é tranquila e tolerante, mas determinada, não permitindo que ninguém lhe diga o que deve fazer. A Bia, a outra personagem principal e maior amiga da narradora, é uma jovem muito feminina, mas que, apesar de parecer também muito determinada, se deixa prender em situações que a sufocam e das quais não consegue libertar-se. As duas seguirão um percurso que as levará a refletir sobre a passagem do tempo, o esgotamento da memória, a doce beleza da juventude e a tranquilidade de estar bem com o passado.
    "Em que momento foi que minha vida começou a tomar rumos inesperados? Não sei. Pode ter sido depois do encontro com Juan, assim como pode ter sido depois do encontro com Adri. São memórias de tantos anos que já nem sei mensurar em que momento ocorreram, talvez o que eu esteja escrevendo não seja nem um terço do que aconteceu, quem sabe não é quase tudo coisa da minha cabeça, uma mistura de fatos com imaginação, e eu nem saiba direito a fronteira que os divide. No entanto, o que é, afinal, a realidade senão aquilo que nos faz ter certezas, aquilo que nos faz sentir, aquilo que está entranhado em nós e faz a ponte entre nosso coração e nossa mente. Isso é a realidade de uma pessoa, o resto não passa de delusão."

  • Depois do seu sucesso com Bella Donna: Amor no Feminino, Fabiula Bortolozzo regressa ao romance em cenário histórico com Oito Minutos, desta vez acompanhando as feridas que nunca cicatrizaram de uma mulher que amou profundamente outra mulher.
    «Nesse momento, Clarissa fez uma pausa, respirou fundo, me deu um beijo no pescoço e me abraçou tão forte que chegou a doer. "Você sabe que oito minutos é o tempo que a luz demora a chegar do Sol até à Terra? Se o Sol explodisse, a Terra permaneceria mais oito minutos recebendo os raios de um Sol que já não existiria mais. E ela me disse que levaria oito minutos para voltar. No entanto, não voltou. Nem em oito minutos, nem em oito horas, nem em oito dias. Simplesmente, desapareceu sem deixar sinal."»

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